Entre nós não há certas conversas. Não se diz que se gosta. Sei lá, são coisas muito nossas.
Sei que tens pena que viva sozinha. Sei que dizes que sou independente e que tenho a minha vida. Sei. Mas também sei que sabes que és o mais importante pilar daquilo que sou. As nossas manifestações de carinho são diferentes dos demais. Somos assim. Peço-te colo. Colo? Dizes. E fazes aquele olhar de poucos amigos, como se eu estivesse maluca, enquanto te traís a ti mesmo porque começas a sorrir. Porque sabes, sim sabes, que me atiro sempre pros teus braços e não te deixo escapar.
À tua maneira eu também sei... Acendes sempre a lareira para mim quando vou à tua casa nos dias frios. Basta dizer-te uma vez uma comida que me apeteça e tratas de a fazer para mim. Pedi-te uma framboeseira e tu plantaste-a. Guardas-me os frutos para os dias em que não vou aí e sei que já compraste uma planta de mirtilos...
Só tu é que me irias deixar um chocolate no porta-luvas.
Sim, sou a menina do papá.